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Título: Mulheres pastoras: desobediência feminina frente ao patriarcado cristão no período de 1990 a 2020
Autor(es): Pereira, Rosana Mesquita Mendes
Orientador(ra): Maia, Cláudia de Jesus
Membro(s) Banca: ., .
Palavras-chave: História;Gênero;Pastorado Feminino;Decolonialidade
Área: Ciencias Humanas
Subárea: Historia
Data do documento: jun-2020
Resumo: O objetivo deste trabalho foi problematizar a atuação de mulheres no pastorado, dentro da Igreja Batista da Convenção Batista Brasileira, de 1990 a 2020, buscando entender os jogos de poder nesse processo e como algumas pastoras operam um deslocamento na teologia tradicional, por meio de uma reinterpretação do texto bíblico. O interesse pela pesquisa surgiu a partir da tomada de conhecimento de uma grande celeuma dentro da denominação Batista, na qual o centro das discussões era a legitimidade do exercício do Pastorado Feminino. A partir dessa premissa, passamos a investigar o papel das mulheres nessa ordem, as influências do patriarcalismo nas religiões cristãs e como o colonialidade opera no sentido de reforçar os estigmas de gênero e da submissão feminina. A metodologia eleita foi a pesquisa qualitativa por meio de entrevistas semi-estruturadas com cinco pastoras de diversas cidades: Montes Claros-MG, Araguari-MG., Vitória-ES., Conceição de Macabú-RJ., Maceió-AL. Também foram analisados excertos de textos publicados pelas pastoras, sujeitas desta pesquisa, à luz da análise do discurso. A principal hipótese norteadora da pesquisa foi se muitas mulheres vêm perpetuando a ideia de submissão preconizada na história da igreja ou se, ao serem ordenadas, essas mulheres conseguem ocupar espaços de poder tradicionalmente interditadas a elas, amparadas na própria Bíblia e no sentimento de ruptura com as práticas colonizadoras, próprias do patriarcado cristão, tendo por base o conceito de decolonialidade. Os resultados apontam que: o ideal de mulher submissa continua sendo predominante dentro da igreja; que os empecilhos no processo de ordenação das pastoras persistem por meio do poder exercido pela Ordem de Pastores Batistas do Brasil. Dentro da denominação, alguns até aceitam a ordenação, mas as mantêm como auxiliares,não como a Pastora/Presidente pois isso significa conduzir condutas; que algumas pastoras propõem uma nova releitura da Bíblia e, ao fazer isso, procuram um deslocamento, uma ruptura com leituras tradicionais que reforçam a colonialidade e o patriarcalização, consequentemente, a dominação e submissão das mulheres. Apontam também que há, de fato, um enfrentamento diante da exclusão dessas mulheres, dentro da CBB e que as ações das Pastoras já assinalam um novo caminho, pois elas já começam a abalar as velhas estruturas do patriarcado colonial, protagonizando uma nova célula teológica, indicadora de uma volta à igreja primitiva de Jesus de Nazaré.
URI: https://repositorio.unimontes.br/handle/1/2113
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