Os Saberes matemáticos na oficina mecânica: um enfoque etnomatemático
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Data
2025-08-21
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Resumo
Como uma engrenagem silenciosa que movimenta o motor do conhecimento, a oficina
mecânica revela, em seu cotidiano, saberes matemáticos pulsando entre ferramentas, cálculos
práticos e soluções criativas. Nesta dissertação, convidamos o leitor a abrir o capô – assim como
o mecânico que, ao ouvir o motor, identifica com precisão o ponto de ajuste – buscando
investigar como saberes matemáticos emergem das práticas cotidianas de mecânicos
automotivos em oficinas, analisando-os sob as lentes da Etnomatemática, da práxis freireana e
da Antropologia Cognitiva, com vistas a contribuir para uma Educação Matemática crítica e
contextualizada. A partir de uma abordagem qualitativa e inspirada nos referenciais da
Etnomatemática a pesquisa explora esse espaço de trabalho como um campo fértil de
investigação, onde a matemática se manifesta como linguagem viva, articulada a contextos,
experiências e saberes locais. A dissertação adota o formato multipaper e é composta por quatro
artigos interdependentes. O primeiro artigo propõe-se a analisar, por meio de uma Revisão
Sistemática da Literatura, como a Etnomatemática tem sido abordada em pesquisas que
investigam saberes matemáticos presentes em práticas profissionais diversas: tendências,
lacunas e possibilidades para o desenvolvimento de estudos voltados ao contexto das oficinas
mecânicas. O segundo artigo busca identificar se, e como, a matemática se faz presente nos
saberes produzidos e/ou praticados por mecânicos automotivos com baixa escolarização formal
em sua atuação profissional, analisando as possibilidades de articulação com a Etnomatemática,
e mobilizando a Aprendizagem Situada e as Práticas Sociais como suportes teóricos para
compreender tais saberes como conhecimentos culturalmente construídos e funcionalmente
relevantes. O terceiro artigo aprofunda a compreensão de como os saberes matemáticos são
mobilizados por mecânicos automotivos com baixa escolarização formal em suas rotinas
profissionais em oficinas mecânicas automotivas, e como esses conhecimentos se tornam
visíveis e significativos nesse contexto. O quarto artigo lança um olhar para os saberes
matemáticos produzidos em oficinas mecânicas e presentes nas práticas cotidianas de
profissionais não escolarizados, caracterizando-os e articulando-os à Etnomatemática, à práxis
freireana e à Antropologia Cognitiva, lançando luz à sua complexidade, sua coerência interna,
seu potencial epistêmico e formativo para a Educação Matemática, especialmente no diálogo
com os saberes matemáticos escolares e os presentes nos saberes e fazeres desses profissionais.
Esses saberes matemáticos, nascidos da prática e da experiência, destacam a importância de
reconhecermos e valorizarmos saberes construídos fora do ambiente escolar, condição essencial
para uma educação matemática mais contextualizada, crítica e dialógica. Por fim, é importante
reafirmarmos a escolha intencional do uso da palavra “matemática”, com “m” minúsculo, em
todo o texto. Essa opção reflete o compromisso desta pesquisa em reconhecer que existem
múltiplos saberes matemáticos, variados e legítimos, que emergem das práticas culturais e
profissionais diversas, desafiando a ideia de uma matemática única, formal e escolarizada.
Como uma oficina mecânica que não se restringe ao manual do fabricante, mas reinventa seus
próprios processos, a “matemática” aqui investigada pulsa em múltiplas formas de saber e fazer,
todas fundamentais para a vida e o trabalho.
Descrição
Palavras-chave
Etnomatemática, Aprendizagem situada, Oficinas mecânicas, Saberes matemáticos, Educação matemática
