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Título: Os Contos de Fadas e sua Dimensão Política no Programa Conta pra Mim: Uma Leitura Freireana e Discursiva
Autor(es): Freitas, Karla Francine Correa
Orientador(ra): Machado, Júlio César
Membro(s) Banca: Brandão, Viviane Bernadeth Gandra
Nery, Patrícia Gonçalves
Palavras-chave: Contos De Fadas;Discurso;Polifonia;Leitura Crítica;Educação
Área: Ciencias Humanas
Subárea: Educação
Data do documento: 4-dez-2025
Resumo: Esta dissertação investiga como os contos de fadas adaptados e publicados pelo Programa “Conta pra Mim”, do Ministério da Educação, articulam vozes e ideologias que podem influenciar a formação de leitores, especialmente no que se refere à promoção — ou limitação — de práticas de leitura crítica. Partindo da compreensão freireana de que a leitura da palavra está intrinsecamente ligada à leitura do mundo, o estudo problematiza a aparente neutralidade dessas narrativas e discute como escolhas discursivas, textuais e imagéticas podem reforçar valores hegemônicos e naturalizar relações de poder. A pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender de que modo políticas educacionais recentes, voltadas à alfabetização e à literacia familiar, mobilizam adaptações de contos clássicos e quais efeitos tais reelaborações podem produzir na formação das crianças e no trabalho docente. De abordagem qualitativa, com caráter teórico-crítico e descritivo-analítico, o estudo fundamenta-se na Análise do Discurso (Orlandi), na Semântica Argumentativa (Ducrot e Carel) e na perspectiva freireana de leitura crítica, constituindo um referencial capaz de evidenciar a natureza polifônica dos textos e os mecanismos de construção de sentidos. O corpus constitui-se de documentos e materiais disponibilizados no site do Programa “Conta pra Mim”, com ênfase na análise discursiva do conto “Rapunzel”. Os resultados apontam que as adaptações propostas pelo Programa suavizam conflitos estruturantes do conto original, reforçando representações tradicionais de gênero e hierarquias simbólicas. A Torre, signo historicamente associado ao confinamento e à opressão, é ressignificada como espaço de cuidado, atenuando seu potencial crítico; a Princesa, marcada pela passividade e pela obediência, tem sua agência anulada em prol de uma narrativa de docilidade; e o Príncipe, como figura de ação e salvação, reafirma a autoridade masculina. Essa configuração simbólica tende a naturalizar papéis sociais, contribuindo para a formação de leitores que introjetam visões de mundo conservadoras, alinhadas à lógica da educação bancária criticada por Freire. Conclui-se que o Programa, ao promover versões adocicadas e despolitizadas dos contos, limita o potencial emancipatório da literatura infantil e reforça ideologias de conformidade. Assim, destaca-se a urgência da formação docente voltada à leitura crítica e à compreensão da literatura como espaço de disputa simbólica, bem como a necessidade de práticas educativas que resgatem o caráter político dos contos de fadas e promovam uma leitura capaz de revelar tensões sociais, disputar sentidos e ampliar possibilidades de emancipação
URI: https://repositorio.unimontes.br/handle/1/2100
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