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Título: Mudanças florístico-estruturais e variação do estoque de carbono em formação de vereda
Autor(es): Cardozo, Érica Pereira
Orientador(ra): Nunes, Yule Roberta Ferreira
Souza, Camila Silveira
Santos, Rubens Manoel dos
Espírito Santo, Mario Marcos do
Membro(s) Banca: Souza, Cleber Rodrigo de
Azevedo, Islaine Franciely Pinheiro de
Palavras-chave: Veredas - Cerrado;Biomassa vegetal;Floresta higrófila;Comunidades vegetais - Parâmetros fitossociológicos
Área: Ciencias Biologicas
Subárea: Botanica
Data do documento: mar-2023
Resumo: As veredas são formações do Cerrado, marcadas por uma vegetação herbácea graminosa e arbóreo arbustivo (Ribeiro e Walter 2008). As comunidades tropicais, assim como as veredas, constituem um mosaico de estágios, com arranjos de espécies e indivíduos em diferentes fases de regeneração, e sujeitas a perturbações mais ou menos periódicas (Arruda et al. 2015; Reis et al. 2017). Dessa forma, a partir de informações sobre a vegetação em áreas de vereda, é possível avaliar as mudanças na sua estrutura horizontal e vertical, com base nas taxas de mortalidade, recrutamento e crescimento de seus indivíduos e, também, com base na regeneração natural do da sua vegetação (Felfili 1995; Braga e Rezende 2007; Branco et al. 2019). Devido à importância hídrica, social e ecológica das veredas, são necessários estudos para entender as mudanças temporais da vegetação em veredas com diferentes níveis de conservação. Além disso, são Áreas de Preservação Permanente, responsáveis pela perenidade dos cursos d’água das bacias hidrográficas e por auxiliar a permanência da rede de drenagem (Augustin et al. 2009; Neves 2015; Nunes et al. 2022). Neste sentido, este trabalho tem como objetivo avaliar as mudanças temporais da comunidade vegetal nos diferentes habitats da vereda, no período de cinco anos. Onde avaliamos a estrutura (valor de importância e área basal) e dinâmica da vegetação arbustiva-arbórea (mortalidade, recrutamento, perda e ganho) nos diferentes ambientes das veredas estudadas em um intervalo de cinco anos; avaliamos a mudança na composição de espécies entre os dois períodos nos diferentes habitats das veredas; avaliamos como varia a biomassa acima do solo das espécies lenhosas amostradas (AGWB – Mg) e o estoque de carbono entre os períodos e habitats das veredas amostradas (Almescla - mais preservada e Peruaçu - estágio avançado de secamento). Os dados foram coletados em duas Unidades de Conservação: a Área de Proteção Ambiental do Rio Pandeiros (APA Rio Pandeiros) e o Parque Estadual Veredas do Peruaçu (PEVP). A vereda Peruaçu apresenta secamento em estágio avançado, com perda de nascente e retração da porção úmida. Além disso, segundo relatos dos moradores e observações, a vereda possui trechos queimados, com alta mortalidade de árvores levando a uma mudança na paisagem. Isso é evidenciado devido a mudanças na composição da vegetação em vários pontos ao longo de seu curso e a alta invasão de espécies do cerrado. Já a vereda Almescla encontra-se em estágio intermediário de secamento, ainda possuindo um ciclo do lençol freático constante (Nunes et al. 2022), mas já apresenta a ocorrência de espécies de outras formações de Cerrado em sua área aberta. Para amostragem da comunidade vegetal nas áreas estudadas (vereda Almescla e vereda Peruaçu), foi utilizando o método de parcelas (Mueller-Dombois e Ellenberg, 1974). Para uma melhor caracterização das veredas amostradas, estas são definidas em duas zonas que foram delimitadas devido à topografia e drenagem do solo: floresta higrófila (FH) e área aberta (AB), onde foram estabelecidas 68 parcelas de 20x20 m na vereda Almescla (30 na FH e 38 na AB) e 27 transectos na vereda Peruaçu (30 na FH e 27 na AB). Durante o segundo inventário no ano de 2022 foram mensurados novamente os sobreviventes, adicionados os novos indivíduos e registrados os mortos. A riqueza de espécies apresentou uma pequena variação entre os habitats da vereda Almescla, sendo que na floresta higrófila encontrou-se o maior número de espécies arbóreo-subarbustivas no primeiro período de amostragem comparado aos habitats área aberta. No total, contabilizando as espécies dos dois ambientes, foram amostradas 54 espécies em 2017 e 60 espécies em 2022. Em relação a beta diversidade, na vereda Almescla, área aberta e floresta higrófila apresentaram valores altos, devido principalmente ao turnover de espécies, indiferente do período de amostragem. Entretanto, a beta diversidade não diferiu entre os anos avaliados para toda a comunidade e nem para os ambientes separadamente. Para a vereda Peruaçu, o turnover também foi o principal componente de variação da composição de espécies nos períodos amostrados. Comparando todos os ambientes da vereda Peruaçu entre os dois períodos amostrados, o turnover foi relativamente maior no ano de 2017 comparado ao ano de 2022, mas não apresentou diferença entre os períodos para os ambientes avaliados de forma separada. Em relação a biomassa lenhosa acima do solo (AGWB), comparando as duas veredas, a vereda Almescla teve maiores valores de AGWB comparado a vereda Peruaçu nos dois períodos de amostragem. Em relação a manutenção e diminuição do estoque de carbono nas veredas estudadas, a vereda Almescla teve maiores valores (2017: x ̅ = 0.56, t = 2.44; p = 0.01; 2018: x ̅ = 0.54, t = 4.06; p < 0.00001) comparado a vereda Peruaçu (2017: x ̅ = 0.41, t = 2.44; p = 0.01; 2018: x ̅ = 0.36, t = 4.06; p < 0.00001) nos dois períodos de amostragem. Essas diferenças também foram significativas entre os diferentes ambientes em cada vereda, onde a FH na vereda Almescla teve maiores valores de estoque de carbono comparado a FH da vereda Peruaçu nos dois períodos de amostragem. Em 2017, o estoque de carbono da vereda Peruaçu apresentou valores mais elevados na AB. O oposto foi encontrado para o ano de 2022, onde a AB da vereda Almescla apresentou maiores valores de estoque de carbono comparada a AB do Peruaçu. Esses resultados podem propiciar uma melhor compreensão de como mudanças ambientais ao longo do tempo e espaço devido a fatores antrópicos, podem ocasionar alterações na dinâmica da vegetação e estoque de carbono em veredas com diferentes níveis de preservação.
URI: https://repositorio.unimontes.br/handle/1/2256
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