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Título: O direito à cidade nas margens: fragmentação socioespacial e condições de mobilidade em bairro periférico de Montes Claros/MG
Autor(es): Oliva, Jheimisson Ferreira de
Orientador(ra): Bortolo, Carlos Alexandre de
Membro(s) Banca: Alves, Rahyan de Carvalho
Silveira, Giovane Silveira da
Palavras-chave: fragmentação socioespacial;mobilidade urbana;periferias urbanas;Montes Claros
Área: Ciencias Exatas e da Terra
Subárea: Geografia
Data do documento: mar-2026
Resumo: A dissertação investiga como a produção desigual do espaço urbano condiciona o acesso da população periférica às oportunidades, aos serviços e à própria vida urbana. Tomando como recorte empírico o bairro Residencial Sul, a pesquisa parte da compreensão de que a moradia, quando dissociada da oferta de infraestrutura, transporte e equipamentos públicos, não garante, por si só, a efetivação do direito à cidade. O objetivo central consiste em analisar de que maneira a fragmentação socioespacial se manifesta nas experiências cotidianas de deslocamento dos moradores, evidenciando limites, estratégias e percepções construídas a partir da vivência concreta do território. Metodologicamente, adota-se abordagem qualiquantitativa, articulando revisão bibliográfica de matriz crítica sobre produção do espaço urbano e mobilidade, análise de documentos e legislação municipal e a realização de entrevistas semiestruturadas com 20 residentes do bairro. Os resultados indicam que a presença da Avenida Dr. Mário Tourinho atua como importante barreira física e simbólica, reforçando a condição periférica do Residencial Sul e dificultando sua integração à malha urbana. A oferta de transporte coletivo é insuficiente, com número reduzido de linhas, intervalos extensos e limitações de funcionamento, o que amplia o tempo de deslocamento e impõe desgaste diário aos trabalhadores e estudantes. Nesse cenário, a mobilidade urbana se revela profundamente desigual: os que possuem veículo particular acessam a cidade com maior rapidez e autonomia, enquanto os demais permanecem submetidos a longas esperas, múltiplas conexões e custos elevados. A mobilidade, portanto, distancia-se da noção de direito social e se aproxima da lógica de privilégio seletivo. Constatou-se também que muitos serviços essenciais, oportunidades de trabalho e opções de lazer se concentram em áreas mais centrais, obrigando a população a realizar deslocamentos frequentes para satisfazer necessidades básicas. Conclui-se que, embora a política habitacional tenha promovido o acesso à casa própria, sua materialização não foi acompanhada por investimentos equivalentes em integração urbana, resultando na permanência de barreiras que limitam a plena inserção dos moradores na dinâmica da cidade. A experiência cotidiana da mobilidade, nesse sentido, evidencia como a fragmentação socioespacial continua a estruturar desigualdades e a redefinir quem pode, de fato, usufruir do direito à cidade
URI: https://repositorio.unimontes.br/handle/1/2550
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